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Teste rápido para diagnóstico de hepatites

Data de inclusão: 20/07/2018 10:08

As Unidades Básicas de Saúde de São Bento do Sul oferecem durante todo o ano, testes gratuitos para identificar casos de hepatite B e C. O exame consiste na coleta de uma amostra de sangue do paciente e o resultado fica pronto na hora.

Segundo a hepatologista e coordenadora do ambulatório de hepatites virais do Centro de Vigilância à Saúde, doutora Letícia de Campos Franzoni, a hepatite é uma doença grave que ataca o fígado, um dos órgãos mais importantes do corpo humano. Quando não é diagnosticada precocemente, a hepatite pode causar lesões nas células do fígado, fazendo com que o órgão pare de funcionar. 

“As hepatites crônicas causadas pelos vírus B e C ocasionam câncer de fígado, cirrose e todas as consequências potencialmente fatais da insuficiência hepática: ascite (acúmulo de líquido no abdome), hemorragia digestiva (vômito ou evacuação com sangue) devido ruptura de varizes no esôfago/estômago, encefalopatia ou coma hepático. Os pacientes que chegam a este estágio final da doença tem alta mortalidade e só se salvam com transplante de fígado.

Porém, se a hepatite B ou C for diagnosticada a tempo, tudo isso pode ser evitado.”

A hepatite C é a causa mais comum de cirrose, câncer de fígado e é a maior indicação de transplante hepático no Brasil e no mundo. Não possui vacina e é transmitida pelo contato com sangue contaminado - compartilhamento de agulhas/seringas em usuários de drogas; objetos corantes – como lâmina de barbear ou depilar, alicate/cortador de unha, escova de dente, instrumentos de tatuagem/piercing; além de transfusões de sangue, hemodiálise, de mãe para filho durante a gestação e também via sexual sem preservativo.

A hepatite C tem cura e seu tratamento teve um avanço muito grande nestes últimos anos. Conforme Letícia, há 8 anos o tratamento era por meio de injeções que possuíam efeitos colaterais muito fortes, e com baixo índice de cura – apenas 40 a 50%. “Agora, o tratamento dura de 3 a 6 meses e consiste no uso de comprimidos via oral. Os efeitos colaterais são muito leves. Já a chance de cura aumentou para 95 a 98%”, comentou a doutora.

Outro avanço no tratamento está no fato da disponibilidade pelo SUS para todas as pessoas, independente do estágio da doença. “Há cinco graus de comprometimento do fígado, medidos de acordo com a fibrose (quantidade de cicatrizes), que variam do F0 até o F4. No grau F0 o fígado é normal. Ao longo do tempo, caso a doença não seja diagnosticada e tratada o fígado vai acumulando traves de fibrose, evolui para graus de fibrose F1, depois F2, F3 e finalmente F4, quando então a cirrose está instalada. Antes era necessário biópsia hepática ou elastografia que comprovassem o grau de fibrose F3 ou F4 para que o tratamento fosse liberado pelo SUS. Atualmente, o novo protocolo possibilita o tratamento gratuito para todos os pacientes, independente do grau de fibrose”, explicou Letícia.

Hepatite B - A hepatite B é uma inflamação do fígado causada pela infecção do Vírus da Hepatite B (HBV), que pode tanto provocar uma hepatite aguda com sintomas como febre, enjoos, vômitos e icterícia (olhos e pele amarelados), ou evoluir para uma fase crônica, que em geral é assintomática e pode ocasionar um sério comprometimento do fígado, com cirrose e alterações na sua função.

A hepatite B é transmitida predominantemente através do sêmen ou secreções vaginais (via sexual), pelo contato sanguíneo, e de mãe para filho durante o parto.

No entanto, é possível ficar protegido contra a infecção caso se tome corretamente a vacina contra a hepatite B. “A maneira mais eficaz de preveni-la é tomando a vacina. A imunização ocorre quando nascemos e é aplicada em três doses”, conta a doutora.

A hepatite B aguda pode ter cura espontânea, o que ocorre na maior parte dos casos, devido ao próprio organismo criar mecanismos para eliminar o vírus. Contudo, em algumas pessoas, a hepatite B pode tornar-se crônica e o vírus permanecer no organismo por toda vida, levando a cirrose e câncer de fígado. A hepatite B crônica não tem cura, mas possui tratamento medicamentoso eficaz em controlar o vírus e impedir a evolução para cirrose e suas consequências. 

Cuide-se - Diagnosticar a doença depende de exames específicos, que são realizados de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde. Se o resultado do teste rápido realizado em qualquer Unidade Básica de Saúde for positivo, o paciente é encaminhado para o Centro de Vigilância à Saúde, onde exames mais específicos são solicitados. Se confirmando a doença, o tratamento é fornecido gratuitamente.

Qualquer pessoa pode e deve fazer o teste. Mas existe um público-alvo prioritário, que são pessoas que mantiveram relações sexuais sem uso de preservativo, história de transfusão sanguínea antes de 1992, pessoas que compartilham material pérfuro-cortante para uso de drogas injetáveis e inaláveis, tatuagens e piercings, profissionais da área de saúde, e pacientes em hemodiálise.

Em São Bento do Sul são acompanhados, atualmente, 37 pacientes portadores de hepatite C. Destes, 22 já realizaram o tratamento e estão curados. E 15 estão em tratamento ou aguardam a medicação. 

No caso da hepatite B são 58 pacientes em acompanhamento e tratamento. “Importante notar que esses números representam apenas 5 a 10% dos pacientes portadores do vírus HBV e HCV. Ou seja, a maioria dos infectados ainda não estão diagnosticados. Essa dificuldade no diagnóstico é uma realidade brasileira e mundial, infelizmente. Precisamos mudar este cenário conscientizando a população a buscar o diagnóstico”, destaca a doutora.

Prevenção - Além do uso da camisinha em todas as relações sexuais, não se deve compartilhar instrumentos utilizados para uso de drogas injetáveis ou inaláveis, e também não compartilhar escova de dente, alicates de unha, lâminas de barbear ou depilar, e qualquer material pérfuro-cortante. E sempre lembrar da vacinação contra hepatite B. 

Viviane de Vargas Miranda
Assessoria de Imprensa
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