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Saúde

São Bento do Sul já tem febre amarela – A situação é de emergência

24/01/2020 10:59

São Bento do Sul acaba de confirmar o vírus da febre amarela em primatas. A confirmação chegou à Secretaria Municipal de Saúde na tarde desta quinta-feira, quando o vírus foi confirmado na amostra do bugio encontrado morto no bairro Rio Vermelho no último dia 10 de dezembro.

Com a confirmação vinda de Florianópolis, imediatamente o secretário de Saúde Dr. Manuel Rodrigues Del Olmo reuniu-se com a diretora do Centro de Vigilância à Saúde Marilene Strapassoni, com o Dr. Ricardo Larroyed de Oliveira do setor de epidemiologia, e com a veterinária da Secretaria de Agricultura Gabriella Matos Ferreira.

O motivo da reunião foi para traçar ações a partir deste momento onde se tem o vírus presente no município e segundo Dr. Manuel, “daí por diante pode ser questão de tempo para alguma pessoa contrair a doença”.

Conforme Dr. Ricardo, mesmo sendo o município o único da região a ultrapassar o índice de vacinação que é de 95%, atingindo 106% do que é a meta, sempre há alguma pessoa que não foi vacinada e esta poderá contrair a doença.

Segundo informações da DIVE - Diretoria de Vigilância Epidemiológica datadas do último dia 21, “em 20 dias, Santa Catarina registrou 64 mortes em primatas suspeitos de febre amarela. As notificações dos óbitos desses macacos estão concentradas nas regiões de saúde do Planalto Norte (nos municípios de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho) e Médio Vale do Itajaí (Pomerode, Blumenau e Timbó).

Segundo a veterinária Gabriella, aqui no município até a tarde de quinta-feira eram 32 macacos mortos encontrados oficialmente.

Estes dados são os informados pela população à Vigilância Sanitária, que recolhe o animal para colher amostras quando possível e enviar ao laboratório em Florianópolis para comprovar a existência ou não do vírus.

 

Ações imediatas

Onde foram encontrados macacos mortos a população foi vacinada, porém, agora com a confirmação do vírus no município é fundamental que as pessoas que ainda não receberam a vacina dirijam-se às unidades de saúde para vacinarem-se.

A segunda ação é alertar as pessoas para quando apresentarem sintomas sugestivos da doença procurarem o médico imediatamente.

Os sintomas da doença são: Início súbito de febre; Calafrios; Dor de cabeça intensa; Dores nas costas e no corpo; Náuseas e vômitos; Fraqueza e cansaço; Dor abdominal e Icterícia (pele amarelada)

Segundo Dr. Ricardo, estes sintomas ocorrem de 3 a 6 dias depois da picada e podem durar de 15 a 20 dias. Na grande maioria dos casos os sintomas são autolimitados, ou seja, eles vão embora.

“Porém em torno de 15% das pessoas podem apresentar aquela apresentação bifásica da doença, onde apresentam os sintomas iniciais, depois ocorre uma melhora dos sintomas que pode durar de algumas horas a poucos dias, e de repente piora novamente. Das pessoas que contraem a doença de 20 a 50% desenvolvem a forma grave, e destes pelo menos 80% morrem. A doença tem quadro evolutivo muito rápido, e isso é o mais preocupante”, disse Dr. Ricardo.

Vale ressaltar que a doença não é transmitida de uma pessoa para outra. A doença só é transmitida através da picada de um mosquito contaminado.

 

Outro detalhe importante relatado na reunião é que a Secretaria de Saúde está verificando junto ao Estado se São Bento do Sul entrará nas condições especiais de vacinação, que é disponibilizar a vacina para os grupos de pessoas acima de 60 anos e mulheres grávidas amamentando que normalmente não são vacinadas.

“Se tivéssemos um caso confirmado em humanos na cidade entraríamos imediatamente em situação emergencial e a vacina seria direcionada a toda população”, disse Dr. Ricardo.

 

 

Situação pode ser muito pior

Dr. Ricardo comentou que a febre amarela quando pega o ambiente dos macacos costuma dizimar a população dos animais, e muito rápido.

“O que temos que fazer é informar a população para procurar a vacina. Infelizmente quanto aos macacos não podemos fazer nada”, disse.

Gabriela comentou que “no mês de março foi confirmada uma morte de macaco em Joinville, em junho confirmaram em Itaiópolis, em agosto confirmaram em Jaraguá. Nesse meio tempo confirmaram 32 casos no Paraná e ontem (22) confirmaram um caso em Rio Negro. Então era só uma questão de tempo para confirmação da doença aqui em São Bento do Sul”, disse.

Os 32 macacos mortos que se tem registro podem ser apenas uma pequena fração do que realmente está ocorrendo pelo mato. Como os dados são somente dos informados pela população, e estes foram macacos encontrados em proximidades de ruas ou propriedades, os macacos mortos no meio da mata não são contabilizados por não se ter conhecimento.

Um exemplo foi relatado nesta manhã na unidade de saúde ESF-4 do bairro Centenário por Alexandre Jankosky, 69 anos. Alexandre, que está preocupado com a situação e foi procurar pela vacina, disse que a situação está feia no interior. “Eu estive conversando em Rio Natal com a vizinhança e os comentários são de que alguns caçadores encontraram muitos macacos mortos no meio do mato. Eu fiquei preocupado com isso porque tenho chácara em Rio Natal e estou sempre por lá. Então hoje vim consultar com o médico para me liberar para que eu possa receber a vacina contra a febre amarela”, relatou.

Um dado triste ainda comentado por Alexandre foi de que “os roncos dos bugios que sempre ouvíamos já não se escuta mais. Parece que morreram todos”, disse.

 

Horário especial de vacina

Haja vista a situação de emergência, neste sábado (25), das 8h às 12h cinco unidades de saúde estarão abertas para vacinação.

As unidades são: Posto de Saúde Central; ESF-1 Serra Alta; ESF-3 Centenário; ESF-5 Cruzeiro; e ainda a Unidade de Saúde do bairro Rio Vermelho Estação.

 

 

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Joberth Krause – MTB 4280SC

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